Sunday, March 8, 2015

Será que estou mesmo ali?

Ao andar pelas ruas despido de solitude
Seres incógnitos chocam com minha presença deambulante
Disferem adagas perceptivas, olvidando razões que não as deles
Encadeiam-me com claras evidências de que estou ali
Interpelo um estranho refletido num vidro qualquer
Falaram-me dele mas não sei quem é
Não o olho de frente, ele cega-me como o sol
No mesmo dia, numa janela perdida de gente
Vejo esse estranho a andar lá em baixo com olhar absorto
Como ver uma aparição fantasmagórica
Gélida presença se avulta na minha espinha
Ele é o espectro do homem que eu pensava ser

Se andava por aí outro ser corpóreo que não eu sem eu saber
Serei eu o espectro que anda por aí sem corpo
Sem corpo a realidade não me toca
Como posso saber então que estou ali?

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