Friday, July 17, 2026

A tudo que prometeu

Invoco a Prometeu
Sob meu artifício
Num sorvo spiro
Suas heranças
Como se eu pudesse
Apropriar-me dessa promessa
Soprar carbono
Pelas engrenagens nuas 
Acabar relutante interregno

Ou quiçá
Fique o gosto iníquo
De quem já usurpou
O próprio berço
Deixando arder o paraíso
Para sua salvação

Jamais escolheria
Voltar atrás
Sabe-o, tão bem
O enxofre nada absolve
Fica a lembrança olfativa
A terra carbonizada
E as cinzas inaladas

Wednesday, July 15, 2026

Entre Mundos

Existem ilhas naufragas
Dentro de mim
Mundos na fronteira
Entre o onírico e o alienigena
Alocados em parte incerta
Nos subúrbios da consciência
Reminiscências ou premonições
Invocados por salpicos sensoriais
Não são apenas locais 
Nunca antes vistos
É um novo experienciar
Do frio e da noite
A floresta de torres
Onde habita uma civilização inteira
Completamente abstraída
Que eu deambulo entre eles
Num passado que ultrapassa vidas
Ou um porvir magnifico
Talvez viaje no tempo
Sem memória de quem fui ali
Serei eu, do futuro
Despido de arcaica mortalidade
E objeções da neurose
Vislumbre sobre caminhos
Ainda não percorridos
Na sombra de quietude amadurecida