Obscura passagem
É a noite
Espaço sideral
Dimensão oculta
Não sei onde me leva
Depressa atravesso
O limiar da consciência
Estou ali
Diante de uma fogueira
Ardendo branda, constante
Penso, sem pensar
Não me interessa quem a fez
Transpira saber
Inaudível palestra
Prepara-me para algo
Nesta vida, para a próxima
Ou para outra versão de mim
Embrenhado o olhar no fogo
Desdobro-me em vários
À volta do mesmo fogo
Em cosmicas diferentes
Quantos mais me torno
Mais me esqueço
Do que não conheci
Dou por mim a viajar
Por entre terras habitadas apenas por mim
Tão estranhas que minha memória
Não se consegue formar
Planetas feitos de complexas equações
Seres criados de ciência omnisciente
Expandindo-se nas várias eras
Com cidades voadoras
Deslocando-me pelas galáxias à velocidade da luz
Colapsando a forja de estrelas
Alimentando-me de super-novas
Conglomerados de universos
Convergem simultâneos vários de mim
Assimilo todos de mim
Volto à mesma fogueira
Ardendo branda, constante
Invocada por imaginação
Assumindo forma mais tolerável
Do que o rosto de Deus
Oculto em descrença
Com luz tenebrosa demais
Para ser indagado
Pelo olhar
Começo a sentir
A indeleve pressão atmosférica
A massa movendo-se para o centro do planeta
Os sentidos a captar estímulos do exterior
Abro os olhos
A realidade é imediatamente reconhecida
Sem qualquer conhecimento
De onde estive
Ou de quem me tornei
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