Sunday, July 23, 2023

Terrores Noturnos

A noite alarga-se
Num clarão efervescente
E em trancada entre-aberta
Cliva-se o pensamento
O mundo detona amanhã cedíssimo
O outro é o invólucro onde selamos todas as crueldades
A mim desperta-me os pesares, os pânicos
Oxida-se o ar, que agora de nada me serve
Esmaga-me a culpa de criança
Dos horrores que imaginei
Aumentados à décima potência
Tão imperdoáveis à consciência
Tingida de idiomáticas ficções
Confesso, condeno-me à morte
Por coisas que nunca fiz
Numa súplica de ínfima esperança
Receber derramado aconchego
Em febril embalar de loucura