Thursday, December 10, 2015

Todos os Neuróticos vão para o Inferno

Estou lá no grande portão
Os outros vão chegando
Chegam por outras razões que não eu
(Pobre Ego, desprezado dessa maneira....
Ide para dentro, não ficais à porta.
Castigos te esperam, daquele moralista dos diabos)
Mas lá têm eles de me ouvir
Não me calam assim:
Blasfémias, sarcasmo e riso profano

Os Loucos, ilibados por sua insana vontade
Para o céu vão. Deixem-nos passar, coitados
Não tem juízo, nem intelecto
Nem artimanhas sequer, sem lucidez para tramar alguém
Não comeram da maçã, ficaram na ignorância
Despidos da consciência que o pecado os roeu

E os Limítrofes, no limite ficam
Esses não sabem o que querem também
Só querem ir para algures, não ali
A senda da luz, ou até Mercúrio pode ser
Só querem sair dali e pertencer a algum sitio
Mas no Limbo é bom também
Sem estímulos sensoriais, nem montanhas-russas
Eles não gostam de montanhas-russas
Indivíduos estranhos esses
Amnésicos de identidade

Tuesday, September 1, 2015

Deixem-me dormir em paz

Sentado sobre a hipérbole do quotidiano
Morde-me tal aborrecimento
Se for possível tomar própria vida por tal inconveniente
Garanto que me será fatal
E zumbidos de conversa absurda
Vindas de imediações
Enxame de moscas
Sujas de merda intelectual
Ai! Que desabe o tecto daquelas bocas
Deixem-me apreciar a minha tortura em sossego
Se é para me entornar aqui, que seja mais solene
E se oxigenio não alimenta esse acéfalo vosso
Desistam desse incessante exercício aeróbico
Vão para o mar, respirem água salgada
Dizem que cura muitos males
Bebam! Bebam à vontade!
Não parem até que o mar se acalme

Friday, August 21, 2015

Beware of your Demons

Careful with the demons you speak of
Swarming in the aquarium of your mind
Do not let them loose in your tongue
Easily they climb the cords
And empower your words
Liquid fire, shapeless fury
You may vomit them out
In the skin they will merge
Then the mark of cain will be your cross
Fused in your limbs, they root inside
Dressing in meat
Skeletons hidden in the closet
Corporeally convincing now
Venture outside to flood all the secrets
You forced upon them

Saturday, July 4, 2015

Na mesma balança, se pesa o Ouro e a Alma

Homens condenados em vida como em morte
Arranham as entranhas da terra
Em busca daquele metal que reluzia e mentes enlouquecia
Mas desse mal, estavam eles salvos
É o pão bolorento que sustenta a mulher e os filhos
Eles como Homens que são, podiam definhar
Comem da terra que daqui a nada, os vai devorar
Corajosos seriam, se tivessem outra escolha
Descem por grutas e gargantas até profundas trevas
Não façam muito barulho, ainda acordam quem não dorme e lá em baixo domina
Mas não se incomodem, já está de pé e bateu com ele
Adormecida fúria se alevanta, tecto desaba e homens pequenos se tornam
Sem deliberada vontade, escondem-se agora atrás de destinos selados
"Socorro!". Escapam um grito que atravessava rochas de tamanha convicção
Mais não podiam fazer, tomara largarem seus breves corpos
E fugirem dali com almas pavorosas
Mas alma livre, não anda por aí, não
É negócio entre anjos e demónios
Sem demora, o outro pé ele bate
E ali, todo o mundo estremece uma derradeira vez
Não importunem os que ainda vivem se faz favor
Escolham as terras do norte... ou aquele mundo mais ímpio
Mas calma... O Diabo já o olho vos deitou
Nele pensaram subornar para maldita vida não largar

Monday, May 18, 2015

Beautiful Melancholy

There is something exquisite in the tears
Something from the beautiful melancholy
Sorrow falls in petals softly in the quietly depths
Unfathomable bottom where no soul has set foot in
Ineffable sighs heap on top of each other
And the weight is gentle no more
As more wet feathers drop in the pile
Until we found ourselves rowing in an endless sea
No shore on sight from days lost in tides of dead leaves
On night ravaging the feeble wooden boat
Throwing out the frail of us to layers of forsaken voices
Forlorn gods in our thick nightmares
As the pressure rises crystals forge from fires of rage
Erupting from the deepest abyss to the highest heavens
To flood over mournful eyes and fragile skin
Those waters so limpid and lucid
Emanate the most intimate of livid pains and illusive desires

Monday, May 11, 2015

Do Outro Mundo Ninguém Fala

E essa coisa de Falecer
Parece que toda a gente adere a isso
É mandatório, decreto lei e normal social
Se não o fizeres, és excêntrico, fora-da-lei, acólito do Diabo
Daquelas vaidades tais, uma pessoa tem de fazer uma vez na vida
Mas se assim é, não deve ser grande coisa
Eu cá, pessoalmente não gosto e não me atrai
Talvez um dia considere fazer
Mas não é assim coisa a curto-prazo
É mais uma actividade para planear com antecedência
Há uns, como eu, que não ligam muito a isso
Nem falam muito da coisa, parece que não tem mínima curiosidade
"Falecer? Que raio de coisa é essa? Epa, não quero agora talvez mais tarde"
E esperam até à reforma quando não tem nada para fazer
Alguns nem isso, passa um século e nada
Desdenham disso, recusam-se tanto, ate um dia que "pronto vá, está bem"
Mas depois há aqueles apressados
E é logo aos 20 ou antes disso até!
Ouvem alguém a dizer que há outro mundo e lá vão eles
Não gosto de pessoas impacientes assim
Não sei bem para onde eles vão todos, desaparecem de subito
Mas pensando bem, deve ser um sitio bem melhor que este
Pois com toda a arrogância nunca mais nos falam nem nos vêm visitar
Nem que fosse para contar como é lá
Deve ser só calor abrasador o ano todo, bronzeado e tequila
Pelos vistos é o que toda a gente gosta, nem se lembram de nos convidar
"Olha, gosto muito!","Não é tão giro como pensava", "É bastante agradável à sombra"
Nada. É total incógnito até que se chegue lá.
Prometo, assim que chegar lá, vejo como é, "volto já, vou só ali!" e venho aqui para vos contar como é.

Tuesday, May 5, 2015

Forjado pelo Fogo

Ocasionalmente entramos no nosso casulo
Entre paredes de confusão e sedosa contemplação
Batalhamos o nosso interior que exige o actual estado de coisas
Presos num colete de forças do conforto do que sempre foi
Para eventualmente romper do enlaço de nós próprios
Deixando para trás o que já não precisa de ser mais
Peles mortas da serpente que sua própria cauda devorava
Renasce da luta um novo Eu, aquele que sobreviveu
Um Eu forjado pelo fogo, preparado para um novo mundo

Wednesday, April 29, 2015

Mente o Corpo à Alma

A mente divaga
O corpo fica em terra
E a mente só não mente mais
Porque o corpo não eleva
Preocupado, ele observa-a com cautela
Enquanto ela brinca e esvoaça por aí
Sobre fundos, inóspitos oceanos
Onde ele nunca poria pé
Não se arrisca nas trevas de profundezas
Ávido de ares diurnos com pouca fé
Não aguenta a alma que se incha de negrume pavor
A mente embranha-se levemente nelas
Sem respirar sua tinta, nem cegar-se com fatalidade

Friday, April 17, 2015

The Old Ones Untold Tales #72961

If there are phenomenons
That persist on remaining unknown
Engulfed in riddles and mazes
Only known with absolute clarity
By the most ancient of gods
Too complex and vast
For the minds of Men
To retain such knowledge
And still remain with their sanity intact
Death shall always be one of those
Until the End of Times

This particular phenomenon
With high frequency of occurrence
(A rather common event
Not hard to miss
If the curiosity shall arise
To observe such things)
Most times happens quickly
Usually mere seconds
Until the process is completed
Yet time has been known as malleable
And under this particular event
Agonizing seconds such as these
Seem to possess an incredible elasticity
Stretching indefinitely to hours, days or even years
In the mind of the dying soul

It is also rumored of those whom this process
Can happen indefinitely after the body had ceased activity
Making this experience resistant to the normal wear of time
Due to the extended time this can continue on happening
The degrees of agony on the dying soul
Can be equal to the amount of liquid necessary to overflow certain container
Therefore, this intensity of emotions may trespass the fabric of the life itself
(Being the only known essence to ever come across such sacred barriers)
So they shall haunt the living
Scorning those who will once experience feelings such as these
For how long, it is not known
Depending on how unfortunate those will be
And if they will become these gods' forsaken creatures

Monday, April 6, 2015

The Trickster God

The Old Sun envies the Full Moon
Humans always gaze in awe at the pearl of night
But blinded would they be
If they would even glance at the source of light

So, once in a while
His Majesty wears a mask of clouds
So it can dwell in her charming vests

Oh Trickster, Trickster
How much you love her
But denial is such a powerful force
To eclipse passion more hot than your chaotic core
Into vows of consumption and domination

You should know this
When you'll two meet
Your kiss will fuse you together
The sky will shudder and explode
And your light surpass the bright of a thousand suns
Still, humans will be as one too
Inspired by your unbridled lust
They will defy laws of physics to watch you shine

Sunday, March 15, 2015

Memento Mori

Um dia, que nem os mais impios dos deuses sabem
Thanatos virá a remar pacientemente pelo leito do rio
Na sua longa gondola, onde leva tantos
Com promessa de mostrar eternas margens de Letum
Ele saqueará almas de corpos abandonados
Alma é coisa etérea, negócio entre anjos e demónios
E de quem de entre os homens tem poder sobre os espíritos?

Temo derradeiro dia
Em que minha ânsia o chame antes do tempo
Alma prefira infindáveis paisagens
Desse rio com nascente em saudade
A tão doce efémera miragem
Que com meros suspiros se desfaz

Pensei No Que Sentia Não Senti Mais

Lógico gelo passa alí onde dói
Esfria afecto infectado
Esqueci-me ao de leve na ferida
Mal dei por mim, queimou fundo
Não senti mais dor
Nem hipotético prazer


Oh... Dolor!
'Dormecida cantiga

Volta! Afinal!
Faço pazes às tréguas

Velha amiga, d'índole erudita
Ingrato fui eu em não querer sentir
Fugi para braços d'apatia
Frígida rainha, não desce de seu trono
Nem espada empunha, d'olhar m'impala
Acabei preso em majestoso castelo
Refém de paredes perfeitas por minhas mãos
Débeis demais agora para derrubá-las

Pensei no que sentia
Não senti mais

Oh... Dolor!
Não sonho mais d'âncora amarrada
Apenas tempestuosa tribulação m'ampara

Sunday, March 8, 2015

Será que estou mesmo ali?

Ao andar pelas ruas despido de solitude
Seres incógnitos chocam com minha presença deambulante
Disferem adagas perceptivas, olvidando razões que não as deles
Encadeiam-me com claras evidências de que estou ali
Interpelo um estranho refletido num vidro qualquer
Falaram-me dele mas não sei quem é
Não o olho de frente, ele cega-me como o sol
No mesmo dia, numa janela perdida de gente
Vejo esse estranho a andar lá em baixo com olhar absorto
Como ver uma aparição fantasmagórica
Gélida presença se avulta na minha espinha
Ele é o espectro do homem que eu pensava ser

Se andava por aí outro ser corpóreo que não eu sem eu saber
Serei eu o espectro que anda por aí sem corpo
Sem corpo a realidade não me toca
Como posso saber então que estou ali?

Sunday, February 22, 2015

Before Adam and Eve

There was once a Paradise
Before Adam and Eve
To be conscious of the self
The terrible paths man goes to find himself
Discovery of fire to the power of atom
How many tears and blood were shed in the process
And the countless souls heaven and hell have stolen
Man is the only true sin
Because before Adam and Eve
There was once a Paradise


Now, let me cry for these lost souls
Let me cry until the end of times

Saturday, February 21, 2015

Magnetismo Animal

Súbito ardor me morde
Entranhado na carne
(Essa de desejos ímpios
Que condenam alma a asilo de fogo)
Capricho que não pode ser negado
Nem tampouco satisfeito
Carne entre os dentes
Com mesmo Fulgor. E Fúria. E Fome
Escravizado coração mal carrega insaciável ânsia
De ver presa domada sem esperança
Absolvição, essa desespera em traqueia cobiçante
Submissos olhares quase suplicantes
Cambaleiam de cabeça baixa para a boca do lobo
Arrastados por medonha tentação
Atrevem-se apenas a soltar subtis fragrâncias
Despertam sede que se quer saciada

Saturday, February 7, 2015

Just another day

Dogs' barks echo from afar
Transmuting my chimeras into something more vivid
"I'm awake! I'm awake!"
I tell no one because no one is there to tell
The sky is silver, exhaling innocuous Adam's ale
Apart from the demon-speed drivers
Tesla towers remain unshakeable
Soaked in Zeus' volatility, disappearing in the distance
My entrails demand a morning sacrifice
I shall go now!
Devour the unborn I will!

Friday, February 6, 2015

The Plague of War

War strips men of all meaning
Taints fields and souls
For hell have never been so blessed
Where do our heroes lie?
I can see them from here!
Their heads are held high
Adorning enemy spears
Soon to be silenced voices
Let out a last prayer
They will soon be here
Clemency and compassion
Do not travel with them

After Dark

Long for looming night
Scarce drops of light still linger
Ruins of a sunk sun
Pour dim fumes
Slender, sleek serpents
Dazzle hazy mazes
Slowly entangle all things
In the middle of them I am comforted
Night embraces me
A coat of silence
Over my heavy shoulders
Fill my lungs with a cold warmth

And here I wait for you
In the forest of darkness
Wounded for sexual bounds
Craving for passionate carvings
You heed to my whispers
Bathed in sacred moonlight
Only your silhouette is granted
But you resonate Stygian Grace
Wearing storms and thunders
You can only promise shivers and shudders
Pleas of pleasure and pain from your lover

Thursday, February 5, 2015

Amor Eterno?

Quero amar
Mas amar só não chega
Labios pálidos não sabem a coisa nenhuma
Beijam aqui e ali com logro e ardis
Atravessas-me de um lado ao outro
Mas pouco te interessa o que tens à frente
Só vês a miséria em que te tornaste
Tua alma respira e se move
Mas teu espirito já não se comove
Amor eterno? Coisa absurda
Agarravas-me com garra e dentes
Costumavas marcar bem o teu territorio
Agora meu corpo está frio
Sem vestigios de luta
Se morria por ti? Claro que morria
Se ainda estivesses viva, minha linda

Sunday, January 25, 2015

Love will destroy us

Babe, love burns between us
Love burns and will consume us whole
Consume us so violently babe
Until there's nothing left
Love will destroy us whole
Until there's nothing left
But ashes of our love
Ashes of our bitter love babe

Ishtar of burning Babel
Burn on Babylon gardens
Forlorn hope, languish in lust
Burn our love, born in war